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sábado, 18 de dezembro de 2010

Um brilho diferente


Andréa trazia na mão esquerda uma aliança de um brilho ofuscante.  Era uma larga aliança de ouro que ela tanto polia que parecia ter sído há pouco abençoada.  Atendente de consultório médico, os pacientes, até os mais reservados, não se continham e perguntavam se ela havia se casado recentemente, induzidos pelo brilho da aliança que parecia quase não ter uso, Não demonstrava desgastes, arranhões, falta de brilho que um dia após outro normalmente traz. Nas horas de folga ela a retirava do dedo, pegava uma flanela e ficava lustrando enquanto falava ao telefone. Diante de tamanho zelo, quase sem perceber, olhei para minha aliança que, discreta, se mantinha com um brilho compatível aos anos de uso. Fiquei alguns meses sem frequentar o consultório e quando voltei ela estava sem aliança.  Algumas semanas depois encontrei-a perto de minha casa abraçada a um rapaz que  parecia não ter mais que vinte anos.Suas mãos deslizavam pelo largo peitoral do rapaz e exibia com visível prazer uma aliança de compromisso, fina, opaca, de uma qualidade questionável Cumprimentou-me com um largo sorriso.Seus olhos e corpo brilhavam infinitamente mais que a larga aliança de ouro que ela tanto lustrava tentando, decerto, resgatar o brilho de uma vida conjugal que havia se perdido com o passar dos anos.

Olívia comparato